Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Eu e as Legislativas’09: breve análise à salgalhada de partidos e a sua confusão eleitoral

 Legislativas'09

 

Os resultados são públicos – com a excepção dos deputados dos votos estrangeiros – e são completamente lógicos mas estranhamente imprevisíveis. Desde uma margem confortável entre o PS e o PSD, até ao êxodo de votos do Centralão, passando por um PP de força e fé a arrancar o terceiro lugar de um Bloco em claro crescimento.

 

Vou escrever 15 artigos, um para cada partido, frente, movimento ou qualquer outro candidato às Legislativas’09, descrevendo os efeitos do seu resultado, bem como este foi conseguido e o que acontecerá daqui para a frente.

 

Porque as eleições legislativas são, acima de tudo uma experiência claramente nacional, eu quis vê-a numa perspectiva extremamente pessoal e particular do que foi esta ridícula salgalhada de partidos e confusões eleitorais chamada “Eu e as Legislativas’09”!

 

Música: The Mars Volta - Viscera Eyes
Por Parleone às 11:33
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

4 - Breves notas sobre...

Ainda não se sabe, mas Deus queira que o Bloco de Esquerda fique em 4.º e abaixo dos 10%. Ter estes comunistas do BE com o dobro dos deputados na AR já é, por si só, suficientemente malévolo para Portugal. À hora a que escrevo o BE tem 9,8% com 113 freguesias por apurar.

Por Don Corleone às 22:24
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Cavaco POPPOC (Puxa-lhe O Pé Para O Chinelo [Liguangem MEC])

 
Tenho para mim que ao Doutor Cavaco puxa-lhe o pé para a chinela. Isto podia ser uma anedota. Por exemplo: se Portugal tivesse tido o acidente de eleger o dr. Louçã Presidente da República, então, caso este fizesse a actuação que Cavaco está a fazer, seria anedótico. Era motivo de gargalhada geral, como o são aqueles amadores que se mandam para garraiadas e fazem figura saloia em frente ao toiro.
 
Acontece, porém, que do Doutor Cavaco não se espera o mesmo que do dr. Louçã – pelo menos eu esperava muito mais do primeiro que do segundo, do qual, aliás, não espero nada de benigno – e por isso custa assimilar os acontecimentos da última semana. Por três vezes, Cavaco Silva vem falar aos jornalistas e afirma e reafirma que não falará do assunto das escutas antes das eleições para não interferir na campanha eleitoral. Mas o mesmo que se recusa interferir por palavras na campanha eleitoral, premeditadamente ou não, através da sua acção veio provocar estilhaços maiores do que qualquer palavra sua provocaria.
 
Pois que se o Doutor Cavaco queria ausentar-se da campanha, já tinha idade para perceber que “ausentar-se da campanha” incluiria palavras e acções, ou não-palavras e não-acções. Mas esta demissão do seu assessor de imprensa veio levantar a suspeita de que este, envolvido com o PSD, encomendou o caso das escutas ao jornal Público. Ora, Cavaco não fala; Manuela Ferreira Leite é bem melhor que não fale; e os portugueses vão às urnas com esta suspeita infiltrada na tinta da esferográfica que pousarão no boletim de voto.
 
Prejudicará alguém? Não senhora! Agora percebo o que Cavaco quis dizer com “entregarei o meu cartão de militante do PSD na sede do partido” quando ganhou as eleições. E parece que quis dizer “levantarei o meu cartão de militante do PS na sede do partido”.
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Alegre, Louçã e Sócrates apresentam "Dança Comigo", um excitante programa de swing eleitoral

 A Esquerda Alegre

 

Ultimamente a esquerda tem-nos presenteado com um bailado folclórico de extremo interesse e de grande preocupação. A dança de acasalamento à volta de Manuel Alegre de José Sócrates, de um lado, e de Francisco Louçã, de outro lado, tornou-se uma acelerada Polka entre os três políticos.

 

            Já era sabido que Manuel Alegre tinha ditado uma forte e simbólica ruptura da máquina do Partido Socialista, que, de acordo com a sua opinião, de socialista teria pouco e de máquina teria muito. Desde as anteriores presidenciais que Manuel Alegre se viria a distanciar, formando até o Movimento pela Cidadania, que alguns chegaram a preconizar como a chegada de um novo partido. E paralelo a este distanciamento das políticas de direita era visível um subtil flirt a Manuel Alegre daquela que se colocava como a nova esquerda, dos ideias sociais e solidários, a esquerda do Bloco que, para Manuel Alegre, de esquerda tinha muito e de bloco teria pouco.

 

            Como já foi discutido recentemente neste blog, esse flirt tornou-se num singelo namoro quando Francisco Louçã, antecipando-se a qualquer conversa de candidaturas antecipadas, dá publicamente o mote para Manuel Alegre avançar para as presidenciais e, com o apoio formal do Bloco. Cavaco Silva, que tinha sido eleito por uma direita unida contra uma esquerda fragmentada de candidaturas soltas, viu Belém a lhe escapar pelos dedos mas sabia que nada podia fazer, apenas podia esperar por um milagre que lhe salvasse o assento.

 

            Ora então, não é que é mesmo durante o debate das legislativas que, devido à forte concorrência de parte do PSD, os media começam a especular uma possível e mui hipotética coligação entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista. A pergunta teve um efeito tal e qual a Coca-Cola em Portugal, primeiro estranhou-se tal consideração, mas à medida que se considerava uma hipótese do Partido Socialista de voltar à sua querida maioria absoluta, esta questão começou a entranhar-se dentro das lides socialistas (e sejamos honestos, pelo menos a ser equacionada pelos militantes bloquistas).

 

            Ora esta não era a primeira vez que se falava do grande passo que seria o Bloco de Esquerda entrar numa governação, nem seria a primeira vez que se falava disto acontecer via coligação com o PS. Mas enquanto anteriormente estas hipóteses eram tão longínquas quanto uma coligação entre PCP e PS, esta campanha tinha tido o flirt bloquista aos votos socialistas e a Manuel Alegre, bem como as propostas de casamento socialistas a militantes bloquistas (como aquelas aceites de Miguel Vale de Almeida e Inês de Medeiros ou a negada de Joana Amaral Dias) o que veio a aproximar frequentemente as duas organizações, já para não falar da sugestão de Ana Gomes e do OK de Mário Soares.

 

            E quando, então, vemos Manuel Alegre na sua amada Coimbra, a apoiar publicamente José Sócrates na sua caminhada legislativa, vemos a tal dança de acasalamento, passar de uma ferramenta de sensualidade de duas vias, para ser uma agressiva e bem oleada Polka entre os três, um à procura do assento Presidencial, outro à procura de um assento maioritário no Parlamento, e o outro à procura duma estreia governativa.

 

            Estrategicamente esta coligação não podia ter vindo em melhor altura, nem de facto em melhores moldes e, aliás, daqui a quatro anos até faria sentido de algum modo. Mas se esta semana o Bloco vier publicamente apoiar a ideia, tudo o que o Bloco tem defendido será destronado pela velhinha sede de poder. São programas com grandes discrepâncias, e uma maioria de pulso de ferro do PS que iriam tornar qualquer hipótese governativa do Bloco num desastre ambulante (mesmo apesar de boas intenções) bem como o Bloco perderia a irreverência de um partido de contestação sustentada, para a de um típico partido de coligações temporárias do swing eleitoral. Vemos já algumas reacções negativas de eleitores que se viram à direita para fugir de mais uma maioria absoluta de Sócrates, com o braço torcido do Bloco à mistura, e se este chá-chá-chá eleitoral continuar, poderemos ver Manuel Alegre a perder a sua base de eleitores confundidos com as mesclas de compadrios e cargos eleitorais.

 

Resta agora, saber se o eleitorado conseguiu, como a própria base bloquista, perceber que tudo não se passou de uma tampa do Bloco ao PS, para lhe deixar com a àgua da maioria absoluta na boca, mesmo já tendo esta vindo à superfície.

Mood:: Desconfiado
Música: The Mars Volta - Agadez
Por Parleone às 10:39
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Homossexuais sanguinários

Parece que finalmente o Ministério da Saúde do governo português tomou uma atitude sensata quanto à possibilidade dos homossexuais masculinos poderem doar sangue. Ao que foi hoje noticiado, obviamente não devem poder! Assim dita um documento enviado pelo referido Ministério ao Conselho de Ministros classificando os homossexuais masculinos como parte de um grupo de risco.

 

Muito rapidamente o Bloco de Esquerda, numa atitude irresponsável e repugnantemente liberal, veio criticar esta medida viciando-a de discriminação. Para o Bloco de Esquerda é assim: se se disser que um preto é preto é-se racista.

 

É razoável ou não dizer que os homossexuais têm comportamentos de risco? Não só se é razoável como é apenas fazer uma declaração de ciência – é constatar um facto! É razoável ou não dizer que um homossexual masculino corre um risco exponencialmente superior ao homossexual feminino? Não só se é razoável como é apenas fazer uma declaração de ciência – é constatar um facto!

 

Então, se estamos a falar de dar sangue que mais tarde será transferido para outra pessoa, estamos a falar de uma questão de saúde pública. E se estamos a falar de saúde pública temos que ter máxima prudência. Se há discriminação por se impedir que os homossexuais doem sangue então que sejamos discriminatórios. Se a discriminação reside exclusivamente no facto de se impedir os homossexuais masculinos e não os femininos então é simples: proíbam-se também os femininos.

 

Se isto é ser discriminatório nunca me senti tão bem por discriminar alguém. Tomem tento!

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Manuel Alegre a Presidente!

Foi aqui dito, pelo co-autor deste Blogue, que talvez o Partido Socialista trouxesse o nome de António Guterres à baila, quando fosse hora de escolher um candidato presidencial. É possível. Mas não é provável. Também já houve quem tivesse dito que o Partido Socialista talvez até apoiasse Cavaco Silva na sua – hipotética, para já – candidatura.

 

Eu cá não acredito nem numa, nem noutra hipótese. Não acredito porque sei muito bem porquê que o deputado Manuel Alegre tem andado muito caladinho ultimamente. Mais concretamente, por ocasião do último congresso do Partido Socialista, Manuel Alegre foi namorado por José Sócrates que o convidou a integrar a direcção do partido. Convite que o deputado-poeta declinou honrosamente. E bem. Mas o certo é que aqueles dois conversaram muito naqueles dias e a partir dali Manuel Alegre disse publicamente que se iniciava um novo ciclo e que estava disponível para dar um voto de confiança a José Sócrates – muito embora exigisse uma certa mudança de atitude por parte do primeiro-ministro, já chamado por alguns alcoviteiros socialista de “Mário Soares II”.

 

O certo é que, entretanto, vieram as eleições europeias e José Sócrates levou um seco e certeiro, quase paralítico, puxão de orelhas e depois disso abandonou o ar de ditador e resmungão e passou à figura de cachorrinho-sem-dono e, quase em situação de loucura extrema, até admitiu que tinha errado e que, a partir dali, ia tentar fazer-se compreender melhor nas suas intervenções públicas. Manuel Alegre deve ter gostado muito disso.

 

A verdade é que, tenho para mim, naquelas longas conversas surgidas nos bastidores do congresso do PS, Sócrates disse ao poeta que ele até podia ser o “presidenciável” socialista. Logo, Manuel Alegre abrandou. Não acredito em coincidências. Abrandou, porque vai ser o candidato do Partido Socialista à Presidência da República em 2011.

 

Com isto, vai criar-se uma situação engraçada. É que se por acaso, e só por acaso, José Sócrates tiver a infelicidade de vencer as Legislativas deste ano, e se Francisco Louçã resolver apoiar a tal candidatura de Alegre, então fará certamente campanha ao lado do seu querido inimigo José Sócrates. Quero ver.

Por Don Corleone às 19:52
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Chegamos ao inevitável: Esquerda com "E" grande!

Francisco Louçã e Manuel Alegre

 

Hoje fiquei muito contente por ter visto mais uma prova de como a política é um jogo, que apesar de ter uma tendência a longo prazo, é completamente cíclica a curto e médio prazo, quando ouvi Francisco Louça apoiar uma futura candidatura presidencial de Manuel Alegre.

 

Depois da esquerda centrista europeia ter conseguido conquistar (e nalguns casos, quase ter conquistado) um surpreendente número de líderes estatais desde há uns 6 anos para cá (vejamos só Sócrates, Zapatero, uma pseudo-Merckel e uma quase Ségolene) eis que se veio confirmar a derrota da esquerda europeia nestas últimas eleições, como era necessário para confirmar o ciclo.

 

Portugal, atrasado como sempre, apesar de ter tido um partido de direita vitorioso (o PPD-PSD), a direita como um todo sofreu uma fortíssima derrota, com o aparecimento de uma grande massa crítica de votos à esquerda do PS e, se considerarmos o PS de esquerda como consideramos o PPD-PSD de direita, então o número de deputados e votos da primeira, largamente supe­rou os da direita.

 

Ora isto só ajuda a alimentar as esperanças de que, o ciclo irá fazer girar a faca e o queijo para a esquerda. Mas quando? E confirmações?

 

Ainda não sabemos se as Legislativas e as Autárquicas serão no mesmo dia, no entanto, sabemos que apesar do PSD ter uma vantagem nas autárquicas, ambos os resultados estão muitíssimo renhidos e a ser activamente disputados pelos partidos do Centrão.

 

Assumindo hipoteticamente que as eleições são no mesmo dia, é claro que as Legislativas irão impor a sua influência e ordem de importância sobre as Autárquicas e haverá um efeito de propagação dos resultados das primeiras sobre as segundas, sendo que é bem provável que o vencedor de uma seja o vencedor das duas. Neste cenário, o Centrão iria ganhar votos nas autárquicas devido às pressões partidárias e a uma outra multiplicidade de efeitos derivados das legislativas.

 

Assumindo hipoteticamente que as eleições são em dias diferentes, os efeitos são completamente diferentes. Como falei num artigo recente, o factor governabilidade junto do eleitorado do PS, bem como o factor animosidade contra Manuela Ferreira Leite irão ajudar José Sócrates a conquistar uma leve vitória (lembrem-se, hipoteticamente) e permitem o PSD jogar todas as suas cartadas para assegurar uma grande vantagem nos municípios portugueses.

 

E os restantes partidos, que é feito deles? Ou muito me engano, ou a “porrada publicitária” entre os dois partidos vai ser tão grande que os restantes partidos irão ficar, injustamente atirados para o segundo plano e, conjuntamente com o favorecimento que a abstenção normalmente dá a estes, irão manter ou perder as suas quotas de votos.

 

No entanto, Francisco Louça veio fazer aquilo que, na minha humilde opinião já deveria ter sido feito há 4 anos atrás e que, se calhar nessa altura, teria proporcionado um crescimento muito maior e, ainda perfeitamente sustentado, do seu Bloco de Esquerda.

Francisco Louça veio, publicamente apaziguar esses milhentos indecisos no seu liberalismo social que nem uma árvore dançante ao vento, que nas últimas presidenciais fugiram às estúpidas máquinas partidárias e votaram de acordo com a sua própria opinião.

Francisco Louça veio, recentemente, afirmar a sua opinião de apoio a uma eventual candidatura presidencial de Manuel Alegre.

 

Ora bem, este facto para mim só tem 3 conclusões simples:

 

- Depois de uma governação pateticamente apagada por parte de Cavaco Silva, em que mais que fantoche do Governo este foi um elo de ligação com a oposição, a população pouco ou nada sabe da sua governação e como tal, continuará a votar nele com a mesma mística de mistério com a qual votou nos seus programas dúbios e não-esclarecedores na sua candidatura inicial. Tanto mais ainda que este é provavelmente o único ponto em que a Direita, desunida e de costas voltadas, ainda concorda. Depois de Manuela Ferreira Leite “ponderar” governar sem coligações (de forma um pouco gananciosa ou verdadeira, tirando assim uma boa capacidade de ganhar as eleições) Paulo Portas pondera como exercer a sua influência junto do PSD numas eleições que não as Autárquicas.

 

- O Partido Socialista, não o fez nas últimas eleições, nem nunca o fará enquanto Manuel Alegre continuar a ser o inconformado que nem pelo seu próprio partido pode ser calado. O PS não o apoiará na sua candidatura e este irá que trazer a sua maior arma para que uma candidatura falhada não seja o princípio do fim para essa “esquerda do cansaço”. Ora bem, sendo que o panorama na altura era “relativamente” parecido e assumindo que o Mário Soares é o mais mediático e lendário político que o PS alguma vez teve e terá, eu acredito que este tenha sido a sua grande arma. Portanto, a não ser que estes tragam um Mário Soares 30 anos mais novo e com mais 30% dos votos ao brandar gritos anti-sócrates, duvido que o PS tenha alguma hipótese em ganhar as presidenciais, pelo que a única restante alternativa do PS será trazer do reino dos mortos (ou seja, a ONU) o Santo António Guterres, padroeiro da memória curta dos portugueses (esperem aí, não foi ele que já apareceu nuns cartazes do PS já nestas eleições? Será isso um sinal?)

 

- Finalmente, o ponto mais entusiasmante derivado desta notícia é sem dúvida o facto de finalmente vermos a Esquerda, com “E” grande, unida como já não se via desde a 4ª internacional! Fraccionada entre milhentas mini-seitas marxistas / leninistas / trotskistas / maoistas / socialistas, esta tem sempre sofrido pela divisão entre as suas raízes e uma aproximação do PS para uma governabilidade de “mal menor”. No entanto, finalmente, hoje conseguimos ver uma grande ameaça de uma esquerda reforçada pelos últimos resultados políticos e inspirados pelas declarações de Francisco Louça.

 

Depois de anos de namoriscos de corredor, piscares de olhos de assembleias e flirts de municípios, o Bloco finalmente assumiu algo que apenas se pode concretizar como um namoro de intenções sérias com a facção, ainda muito grande, divisória do PS liderada por Manuela Alegre (que conta com um ainda activo Movimento pela Cidadania).

 

Depois dos separatistas comunistas há algum tempo atrás, parece que o gosto por divorciados, do Bloco de Esquerda, está outra vez activo e vai fazer tremer a Direita e aquilo que restará do PS nas presidenciais.

 

Será que temos um poeta como presidente? Só falta Manuel Alegre aceitar a corte do Bloco.

Mood:: Entusiasmadamente Sonhador
Música: The Cure - 39
Por Parleone às 17:05
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Governabilidade é palavra cara para "chico-espertice"!

 

Acredito que todos aqui já estiveram parados numa auto-estrada cheia de imensas filas e, de repente, à direita e fora da faixa surge o mui lusitano e claramente conhecido "chico-esperto" que ultrapassa tudo e todos para chegar a casa mais rápido para garantir o seu lugar no sofá a ver TV. Ora bem, de facto não é uma grande conclusão, mas já não me lembrava como a política portuguesa está cheia destes senhores "chico-espertos".

 

Porquê?

 

Vimos batalhas e guerras, sangue e suor e gritos de independência (do tipo Ipiranga mas versão política Portuguesa) de todos os eixos e quadrantes políticos possíveis, demarcando-se claramente longe de todas as outras alternativas por serem de má governância e de distante coerência ideológica.

 

Pois não é que, os afamados resultados das senhoras europeias, nos deram o vislumbre de um país descontente com o governo de Sócrates e com algumas possibilidades para Manuela Ferreira Leite, e vemos logo os "chico-espertos" já a ultrapassar pela direita fora da estrada para ter o seu lugarzinho do sofá.

 

Ora bem, Paulo Rangel, líder da bancada parlamentar do PSD e recém-cabeça-de-lista às Europeias tornado Eurodeputado veio já dizer que (como se ele fosse Manuela Ferreira Leite) sem sombras de dúvida, se o PSD necessitar de um parceiro para assegurar a governabilidade então este será o CDS-PP. Muito bem! Agora é só esperar o grito ruidoso e a declaração rasgada, "à lá Europeias", de distanciamento político e de total reprovação de qualquer associação com um dos partidos da corda-bâmba política dos últimos anos e que tanto tem prejudicado a classe média e os pequenos empresários deste país, por parte do CDS-PP.

 

Mas não! Paulo Portas, Diogo Feio e tantos outros (quiçá mesmo um Nuno Melo) continuam impávidos e provavelmente a rezar para que a distância entre partidos nas primeiras sondagens (sondagens que eles tanto odiavam e que agora, curiosamente, terão que adorar e acompanhar) seja pouca para que haja necessidade do revivalismo da velhinha AD, ou então da neo-AD de Barroso.

 

Pior, vemos desde já os tais partidozecos que tanto bradaram por diferenciamento e como sendo alternativos seriamente a pensar nas típicas parcerias com os "grandes". O PPM veio recentemente declarar como positiva a sua intenção de parceria com o PSD, para depois das legislativas (para tentar um "ossinho" ou outro numas câmaras e juntas de freguesias).

 

Mas aquilo que é claramente o ultraje político do mês, é o PS a ver-se às bananas, não com o Jardim e as suas bananas mas com os comentários de Rangel sobre quem é que eles iriam escolher para "seu" parceiro político nas próximas eleições, para que consigam contornar a vontade do povo e assim assegurarem uma governabilidade, ainda que apenas semi-socialista. Ora bem, à esquerda as únicas alternativas seriam Bloco de Esquerda e CDU que seriam, provavelmente, uma bela dor de cabeça para o PS no seu governo. E á direita o que há? MEP? MMS? Nada mais, nada menos que o Partido Social-Democrata!

 

Neste preciso momento, e apesar de uma fuga de votos do afamado "Centrão", o infame "Bloco Central" nunca teve tanta força. Num PS que, com Sócrates, tem virado mais à direita do que com qualquer outro líder, a associação política do PS com PSD para assegurar a tal governabilidade (desculpa de estabilidade para que os típicos políticos fiquem no sofá) está cada vez mais próxima. Ainda por cima porque já tinha há alguns anos sido sugerida por Sampaio e agora por Cavaco Silva. De facto, o grande impulsionador deste "Bloco Central" tem sido mesmo o Presidente da República e entre as "boas-relações" com Sócrates e as "relações familiares" com Manuela Ferreira Leite (foi Cavaco que a convidou para participar na secreta cimeira de Bilderberg) este detêm grande poder em apadrinhar este "Bloco".

 

Claro está que, os "chico-espertos" voltarão a aparecer. Antes dos resultados eleitorais ambas as partes rejeitaram peremptoriamente toda e qualquer associação num Bloco Central devido aos comportamentos e posições das outras partes (eu sei que isto já é chico-espertice) mas quero ver agora, com os resultados sabidos e com a pressão de Belém, se José Sócrates verá o seu trono ameaçado e fará uma coligação, ou se Manuela Ferreira Leite cairá na pesada que os Portugueses não gostam dela e ver-se-á forçada a entrar na Associação do Centralão para conseguir um bocadinho do poder do qual ela tanto tem saudades?

 

Não percam o próximo episódio desta montanha-russa de emoção degradante e controvérsia nojenta, que é a política partidária portuguesa dos dias de hoje, porque nós também não!

 

PS: Aqui vai um conselho para José Sócrates e para muitos outros comentadores da blogoesfera: se calhar seria uma boa altura de chamar à baila Manuel Alegre e o seu grupo de descontentes a que apelidou Movimento de Cidadania!

Mood:: Prestes a vomitar!
Música: Hybrid - Higher Than A Skyscraper
Por Parleone às 10:09
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Europa V: a chaga dos Portugueses (uma análise diferente aos resultados das Eleições Europeias)


5) Bloco Movimentalista

 

Muito tenho eu falado sobre os neo-pequenos partidos da política recente que deram azo a que o boletim de voto fosse uma folha com 13 alternativas partidárias. Na verdade, já aqui os louvei dando-lhes o mérito de muitos se concentrarem realmente na discussão Europeia enquanto os restantes maioritariamente não se interessavam. E após ver os resultados destes, bem como os parcos resultados de Brancos e Nulos, apenas posso dizer que os mais de 5% de votos que conseguiram ainda são representativos de uma tendência de voto na alternativa. De louvar o resultado do MEP com 1,5%, depois de uma agressiva campanha de alta propaganda tal qual CDU.

 

Mas falo aqui destes partidos pois vi, recentemente, um comentário a um artigo do Público que referia algo que até hoje nunca tinha ouvido: O Bloco Movimentalista – a união entre os neo-pequenos partidos apelidados de Movimentos como o MEP, MPT e MMS (e quem sabe outros que também queiram jogar à bola).

 

Ora pensar que uma nova ordem política crítica de agregação ideológica poderia nascer tendo uma representação automática de 2% a 5% (dependendo dos critérios de inclusão) é sem dúvida um cenário de grande mudança, sendo que o mesmo aconteceu com o Bloco de Esquerda há 10 anos atrás.

 

No entanto, toda esta esperança esfuma-se na divisão ideológica destes pequenos partidos. Não conseguiria ver uma união entre os liberais ambientalistas do MPT e os neo-liberais democratas do MMS. O único que tem uma vantagem (e também uma desvantagem) é o MEP, que devido ao seu discurso de ideologia incerta e não muito clara, se situa numa linha ténue entre uma imagem de PS com pensamentos de PSD, possibilitando por exemplo uma associação ao MMS (mais provável) ou ao MPT (menos provável, devido à história deste movimento). Por sua vez, uma união entre POUS e PCTP-MRPP é impossível devido às suas contínuas diferenças ideológicas nas suas seitas marxistas-leninistas, e uma união entre o MMS e o PNR é igualmente muito distante devido à vertente de organização económica de forma corporativista do primeiro vs. a organização económica social-cooperativista do segundo (derivado das suas inspirações nazis).

 

A única união que veria provável, para além do MEP e MMS, seria a do PH e do MPT (e quem sabe possivelmente destes dois no Bloco de Esquerda) devido às não contradições entre eles e uma relativa correlação ideológica. Apesar da primeira alternativa ser desastrosa, pois apenas iria resultar numa menor alternativa (visto que ambos os partidos têm potencial para crescer e tiveram bons resultados dentros dos pequenos partidos), a segunda iria fomentar um crescimento agressivo de uma esquerda já bem representada no Bloco de Esquerda, deixando-o mais concentrado em ganhar eleitorado ao PS e crescer como partido de alternativa ao poder/governo/centrão.

 

Mood:: Expectante
Música: outra vez Lily Alen - The Fear (culpem a rádio e o pandora)
Por Parleone às 15:06
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Europa III: a chaga dos Portugueses (uma análise diferente aos resultados das Eleições Europeias)


3) O Verdadeiro Vencedor das Europeias (que acabou no mesmo lugar que este tópico)

 

Apesar de dar os meus parabéns ao PPD/PSD, acho que este não foi o verdadeiro vencedore das Europeias. De facto houve um partido que, consistentemente e continuamente, sem lobbies sectários e com grande actividade seja política (a nível parlamentar) como cívica, ultrapassou uma grande barreira psicológica – a barreira dos dois dígitos, tornou-se na terceira força política, percentualmente, em Portugal e, está à espera da possibilidade de afirmar esta posição terceira a nível de eurodeputados – sem dúvida que o Bloco de Esquerda está a dar que falar.

 

Este pequeno partido (que nas suas primeiras eleições da história, também Europeias, teve pouco mais pouco menos aquilo que o MEP registou nestas eleições) está agora com níveis de representatividade na ordem dos 10% e está, progressivamente, a ver o seu estereótipo de partido crítico e inconformado de esquerdistas e neo-comunistas barbudos mudar para aquilo que este partido sempre foi (e a razão de ser um case-study político na Europa) – a esquerda moderna europeia de cidadãos informados e de variadas ideologias como uma neo-alternativa contra a corrupção e os poderes negativamente concentrados.

 

O Bloco tem vindo, desde a sua nascença politicamente conturbada a caminhar uma estrada com muitos adversários, desde a Direita (o ódio do CDS-PP e PNR) passando pelo Centralão (o ardor de calcanhares mordidos) até aos Comunistas, que sempre encararam o Bloco como o seu carrasco na sua morte lenta e dolorosa, mas apesar de todas as adversidades Miguel Portas, Marisa Matias conseguiram a sua grande campanha e eleição ao Parlamento Europeu (resta agora saber se os votantes do estrangeiro também querem permitir a eleição de Rui Tavares).

 

Resta agora saber se, os mui conhecidos debates internos sobre a sua posição relativamente ao poder poderão resultar numa grande formação de Partido Alternativa que um dia possa chegar a tirar o poder aos senhores da guerra de sempre. Eu acredito que sim!

Mood:: Esperançado
Música: Oasis - Wonderwall
Por Parleone às 13:17
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Small is Better!

Queridos Leitores

Hoje apresento-vos um tema que iniciei levemente no meu último post: os neo-pequenos partidos.

Eu sou do tempo em que o os a premissa "Small is Better" não era utilizada para descrever as mil e umas seitas marxistas e maoístas da esquerda, nem os neo-ditatoriais "quasi quasi" fascistas da direita. De facto, a expressão, que ganhou popularidade nos Estados Unidos com o aparecimento de partidos como o Partido Liberal e o crescimento da popularidade de Ralph Nader do Partido D'Os Verdes, não foi sequer mencionada em Portugal até à agregação das (então) 3 facções neo-esquerdistas que se tornaram no Bloco de Esquerda.

No entanto, esta expressão nesta campanha eleitoral para as Europeias, está a ganhar outra dimensão. É com muito agrado meu, que vejo a política portuguesa a amadurecer, dando lugar à existência de alternativas partidárias aos partidos detentores de lugares no parlamento. Quando o Bloco de Esquerda apareceu, saudei a sua existência por se ter criado uma alternativa às correntes enferrujadas da política partidária de Portugal, pelo que da mesma maneira, quando novos partidos (com viabilidade ideológica) se formam no "quente" de um período eleitoral como este, tenho de e é com prazer que os saúdo na sua criação.

Vejamos então do que falo: no passado ano de 2008 vi um grupo de amigos empunharem a mão no conhecido símbolo político "V" do PSD, no entanto, estes entoavam MEP e não os normais gritos partidários da Social-Democracia. Tinha sido iniciado o comício inaugural do movimento que se tornaria conhecido como Movimento Esperança Portugal. Afirmando-se como políticos de verdade, diferentes da escória resultante de anos de maquinação partidária em Portugal, falavam de "alternativa" e "futuro" como se fossem palavras novas no dicionário político da época. Este entusiasmo era tão vibrante que quase fugia aos seus normais diálogos ideológicos da Social-Democracia. E hoje vemos, o "futuro" desse "movimento" - Laurinda Alves afirma-se na propaganda partidária das Europeias como um forte concorrente à vencedora de maior número de flyers em pára-brisas de carros estacionados.

No meio desta azáfama toda, notei também, num pequeno símbolo do infinito esquecido. Depois de pensar que era uma seita conspiracional contra o governo mundial descobri que se tratava do meu velho amigo Partido Humanista. Estes, com a sua posição sempre lutadora e pacificamente irreverente, fizeram furor quando o seu cabeça de lista às Europeias teve de ser substituído pelo número dois, por exercer o cargo de magistrado num Jurado da Paz no Porto, o que "supostamente" incompatibilizada a sua candidatura eleitoral. Apesar de todas as adversidades, o movimento que se afirma como partido (ou vice-versa) continua a declarar poesia poética pelas ruas de Portugal, encantando os mais sonhadores.

E é, então que, encantado por toda esta declamação política, vejo um Sr. fatinho que gosta de às vezes tirar a sua gravata nuns outdoors a afirmar uma onda de "mudança". Informei-me e descobri que não era, nada mais nada menos, que o Sr. Carlos Gomes do mui nobre e conservador Movimento Mérito e Solidariedade. Qual não é a minha surpresa quando descubro, uns tempos depois, que os famosos outdoors da avestruz com a cabeça enfiada na areia a simbolizar a abstenção eram também dos senhores do MMS. Deveriam estes estar a pensar, tal como PS (e ao contrário do PSD e do CDS-PP) que o truque para ganhar as eleições não passava por libertar cartazes com grandes close-ups às caras dos candidatos, e que portanto o (distante) povo se iria identificar com uma avestruz que não tinha opinião.

Mas dentro de todas estas neo-correntes, é sempre preciso alguma experiência e antiguidade. E fiquei muito...qualquer coisa, por ler a míticas frase "Contra o Capital e Por uma Europa dos Povos!" ser expelida pelas cordas vocais do "camarada" Orlando Alves, cabeça de lista do "grande" PCTP-MRPP, um partido que ainda hoje luta contra a sua ilegalidade. E lá foi ele, desde a Auto-Europa até ao querido calor do Alentejo para que as suas explicações maoístas, sejam confundidas com as declarações comunistas do PCP.

Cansado de toda esta algazarra partidária, dei-me de caras com uma ondulante e orgulhosa bandeira do Partido Popular Monárquico, que de entre fado e Lusíadas, ouvia falar da verdadeira Independência de Portugal e da posição (supostamente) anti-federalista que os monárquicos deveriam ter. Interessantemente surpreso por ver o seu cabeça de lista dizer que o herdeiro de Portugal não era o Duque de Bragança, fiquei nostálgico ao ver a galeria do site do PPM que mais pareciam as ilustrações dos meus livros de história do secundário.

E não é com surpresa total que vejo umas ovelhinha pretinhas nuns cartazes de Lisboa que muito assustadas corriam para fora do cartaz. Pensei que seria uma debandada de ovelhas do PSR mas fiquei espantado por ver uma ovelhinha branca com o símbolo do Partido Nacional Renovador a dar-lhes um "belo coice" xenófobo, ou deverei dizer nacionalista? O novo cartaz do PNR de controverso tem pouco e de directo tem muito, mas tenho de lhes tirar o chapéu pois a sua máquina propagandista sempre foi fantástica, apesar de alguns dos seus simpatizantes terem sido recentemente julgados por crimes pesados.

E finalmente, para deixar esta discussão com muita sorte, falo eu aqui do trevo verdinho do MPT, esse partido extremamente estranho por nem serem uns blue-dog democrats nem uns liberalistas de centro. Se o especulado bloco central tivesse um filho rebelde seria o MPT, nunca saído das suas raizes centrístas mas de vez em quando até usa umas túnicas para parecer de esquerda.

Pois bem, apesar do eu tom mais alegre enquanto falava de todos estes partidos, tenho simplesmente de lhes tirar o chapéu, pois estes SIM (mais BE e PSD) são os únicos partidos que sequer mencionaram qualquer discussão política europeia nesta farsa campanha que nada mais é que um road-to-legislativas!


Bússula Política

 

PS: Para aqueles que não conhecem, fica aqui uma boa bússula política, cortesia do MEP.

Mood:: Pequeno comos os neo-partidos
Música: The Pixies - Monkeu Gone to Heaven
Por Parleone às 19:44
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