Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Alegre, Louçã e Sócrates apresentam "Dança Comigo", um excitante programa de swing eleitoral

 A Esquerda Alegre

 

Ultimamente a esquerda tem-nos presenteado com um bailado folclórico de extremo interesse e de grande preocupação. A dança de acasalamento à volta de Manuel Alegre de José Sócrates, de um lado, e de Francisco Louçã, de outro lado, tornou-se uma acelerada Polka entre os três políticos.

 

            Já era sabido que Manuel Alegre tinha ditado uma forte e simbólica ruptura da máquina do Partido Socialista, que, de acordo com a sua opinião, de socialista teria pouco e de máquina teria muito. Desde as anteriores presidenciais que Manuel Alegre se viria a distanciar, formando até o Movimento pela Cidadania, que alguns chegaram a preconizar como a chegada de um novo partido. E paralelo a este distanciamento das políticas de direita era visível um subtil flirt a Manuel Alegre daquela que se colocava como a nova esquerda, dos ideias sociais e solidários, a esquerda do Bloco que, para Manuel Alegre, de esquerda tinha muito e de bloco teria pouco.

 

            Como já foi discutido recentemente neste blog, esse flirt tornou-se num singelo namoro quando Francisco Louçã, antecipando-se a qualquer conversa de candidaturas antecipadas, dá publicamente o mote para Manuel Alegre avançar para as presidenciais e, com o apoio formal do Bloco. Cavaco Silva, que tinha sido eleito por uma direita unida contra uma esquerda fragmentada de candidaturas soltas, viu Belém a lhe escapar pelos dedos mas sabia que nada podia fazer, apenas podia esperar por um milagre que lhe salvasse o assento.

 

            Ora então, não é que é mesmo durante o debate das legislativas que, devido à forte concorrência de parte do PSD, os media começam a especular uma possível e mui hipotética coligação entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista. A pergunta teve um efeito tal e qual a Coca-Cola em Portugal, primeiro estranhou-se tal consideração, mas à medida que se considerava uma hipótese do Partido Socialista de voltar à sua querida maioria absoluta, esta questão começou a entranhar-se dentro das lides socialistas (e sejamos honestos, pelo menos a ser equacionada pelos militantes bloquistas).

 

            Ora esta não era a primeira vez que se falava do grande passo que seria o Bloco de Esquerda entrar numa governação, nem seria a primeira vez que se falava disto acontecer via coligação com o PS. Mas enquanto anteriormente estas hipóteses eram tão longínquas quanto uma coligação entre PCP e PS, esta campanha tinha tido o flirt bloquista aos votos socialistas e a Manuel Alegre, bem como as propostas de casamento socialistas a militantes bloquistas (como aquelas aceites de Miguel Vale de Almeida e Inês de Medeiros ou a negada de Joana Amaral Dias) o que veio a aproximar frequentemente as duas organizações, já para não falar da sugestão de Ana Gomes e do OK de Mário Soares.

 

            E quando, então, vemos Manuel Alegre na sua amada Coimbra, a apoiar publicamente José Sócrates na sua caminhada legislativa, vemos a tal dança de acasalamento, passar de uma ferramenta de sensualidade de duas vias, para ser uma agressiva e bem oleada Polka entre os três, um à procura do assento Presidencial, outro à procura de um assento maioritário no Parlamento, e o outro à procura duma estreia governativa.

 

            Estrategicamente esta coligação não podia ter vindo em melhor altura, nem de facto em melhores moldes e, aliás, daqui a quatro anos até faria sentido de algum modo. Mas se esta semana o Bloco vier publicamente apoiar a ideia, tudo o que o Bloco tem defendido será destronado pela velhinha sede de poder. São programas com grandes discrepâncias, e uma maioria de pulso de ferro do PS que iriam tornar qualquer hipótese governativa do Bloco num desastre ambulante (mesmo apesar de boas intenções) bem como o Bloco perderia a irreverência de um partido de contestação sustentada, para a de um típico partido de coligações temporárias do swing eleitoral. Vemos já algumas reacções negativas de eleitores que se viram à direita para fugir de mais uma maioria absoluta de Sócrates, com o braço torcido do Bloco à mistura, e se este chá-chá-chá eleitoral continuar, poderemos ver Manuel Alegre a perder a sua base de eleitores confundidos com as mesclas de compadrios e cargos eleitorais.

 

Resta agora, saber se o eleitorado conseguiu, como a própria base bloquista, perceber que tudo não se passou de uma tampa do Bloco ao PS, para lhe deixar com a àgua da maioria absoluta na boca, mesmo já tendo esta vindo à superfície.

Mood:: Desconfiado
Música: The Mars Volta - Agadez
Por Parleone às 10:39
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Sábado, 17 de Março de 2007

Medo Do Passado!

Eu sou de e da Esquerda! Foi um facto que eu descobri cedo numa altura em que me considerava apartidário e apolítico devido às barbaridades lobbyistas que na altura eu considerava ser a política nacional. No entanto hoje, porque defendo os valores da Esquerda em que acredito, sinto me triste por existir ainda um Medo do Passado e com vergonha de existir uma Esquerda que ache que esse passado deve ser esquecido.

 

Se há um nome que ainda provoca arrepios nas espinhas portuguesas é este: Salazar. Este autor de um dos regimes ditatoriais mais longos da história mundial é ainda a raiz de um injustificado medo que o lembra na pele. É, indiscutivelmente, verdade que se deve lembrar o passado de modo a melhor lidar com os obstáculos que o futuro nos impõe, no entanto esta premissa tem recentemente sido esquecida por alguns Esquerdistas portugueses ultimamente.

 

Este Salazar que todos nós conhecemos, nasceu numa terra chamada Stª Comba Dão e a sua casa ainda lá permanece. Esquecendo ideologias e opiniões este Salazar foi sem dúvida uma coisa: um Português marcante. O seu nome aparece em todos os livros de História e teve uma incomparável influencia nos desígnios do país. Portanto é completamente inconcebível usar um instrumento (que lhe era muito querido nos seus dias), como a censura, para tentar apagar a memória do seu 'legado'. E foi, clara e absolutista censura, quando a RTP não o incluiu inicialmente na lista dos "Grandes Portugueses" e está a ser, idiota e opressiva censura, as recentes acções de certos (falsos) "Esquerdistas" ao tentarem que não seja construida um museu em memória de Salazar no local da sua antiga casa. O leitor mais superficial pode achar compreensivel que um "Esquerdista" não ache certo fazer-se um museu em honra daquele que foi o simbolo da ditadura do "Estado Novo", no entanto a Esquerda é uma afluência de correntes que se baseia, entre muitas, na premissa da liberdade e expressão. Uma liberdade de expressão não discriminatória que não distinga tipos de discurso e que seja um direito de toda a gente. Assim é justo pensar que muitas pessoas acham Salazar o "Grande Português" (apesar de eu ou esses tais falsos Esquerdistas não acharem) e como tal têm o direito de exprimir as suas opiniões nessa votação, tal como têm direito de se exprimir em manifestações de apoio Salazarista, de erguer Museus em honra de Salazar onde fora sua casa e até de estabelecerem partidos politicos de ideologia fascista (ao contrário do que a discriminatória lei Portuguesa diz). Afinal, o que foi o movimento para impedir que a antiga sede da PIDE fosse convertida num parque de estacionamento para ser construido um museu para lembrar as atrocidades por ela cometida durante o regime do "Estado Novo" senão um clara demonstração da Liberdade de Expressão não discriminatória?

 

O que estes falsos Esquerdistas pensam é que a melhor maneira de lidar com Salazar é enterrá-lo bem fundo para que nunca seja recordado, no entanto, quanto mais forem lembradas as atrocidades por ele feitas mais fácil será evitar e lidar com situações semelhantes no Futuro e mais fácil será enfrentar aquilo que muitos Portugueses ainda sentem: esse Medo do Passado!

Mood:: Com Vergonha
Música: TV On The Radio - Young Liars
Por Parleone às 19:30
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