Quarta-feira, 28 de Março de 2007

O Medo Do Passado (Parte 2)

Antes demais deixem-me dizer isto: Salazar foi considerado o Maior Português de sempre! Não, não é mentira! Não, não é brincadeira! Não, não é ridículo....é triste!
 
Ao contrário do que o meu co-autor disse, Abril de 74 não foi um erro. O pós 25 de Abril pode ter sido um dos períodos mais conturbados da história Portuguesa sem dúvida com grande instabilidade e tensões políticas entre esquerda e a ‘menos esquerda’ (entenda-se que naquela altura infelizmente quem não era de esquerda era ‘esfolado vivo’ pelos tais Stalinistas que apregoavam novas esperanças vindas do Leste) mas alguém me diga qual é o País que é (re)construído sem qualquer tipo de problema?
Abril de 74 foi uma das maiores vitórias deste Portugal em que vivemos, não fosse ele uma das razões pela qual, como o meu co-autor disse e muito bem, estar ele a celebrar a sua liberdade de expressão neste espaço LIVRE!
 
No entanto parece que certas pessoas gostariam (e com todo o direito a ter a sua opinião) de viver num tempo em que os filhos e alunos não batiam nos pais e nos professores (porque era costume controlar os filhos e alunos através dos tradicionais espancamentos), em que não havia insegurança na rua (porque os métodos de penalização judicial aos criminosos eram tão duros e tão profundos que toda a gente preferia continuar nas condições sociais que os levariam a cometer esses crimes ao invés de enfrentar o menu de métodos de opressão da força policial), sem instabilidade nas Economias e Finanças (através do método do “desde que não gaste terei sempre dinheiro” muito característico de Salazar) e em que a opressão social era uma realidade bem capaz de prender pessoas por falar, por ter opinião e exprimi-la, em que a existência de um claro atraso no desenvolvimento em todos os campos e sectores do País fizessem-no ser considerado como um retrógado país de aldeias brancas e trabalhadores rurais, em que participação política do Povo era uma farsa, e em tantas outras coisas que pela Saúde mental de qualquer leitor eu não vou enunciar.
Entenda-se: eu quero um pais em que os filhos e alunos não batam em pais e professores; eu quero um país em que haja estabilidade e crescimento na Economia e nas Finanças; eu quero um país em que haja segurança nas ruas. No entanto não quero de maneira nenhuma que tais problemas sejam resolvidos à velha maneira do “umas pancadinhas e isto funciona logo”, à velha maneira do “dá lhe uns estabefes que ele cala-se logo”. A opressão é o método idiota e mais laissez-faire de resolver as coisas: em vez de tentar perceber qual a razão dos problemas e resolvê-la, não, vão sempre cortando e cortando para que a erva daninha cresça cada vez com mais força, esquecendo-se de que ervas daninhas só se extinguem quando se arrancam pela raiz.
 

Se a força, a repressão e a opressão são actividades que se querem num País então deixem-me dizer que é devido à não existência dessas características no nosso Regime que hoje podemos ter o bem-estar social que antes desse ‘erro trágico’ era apenas imaginado pela sonhadora juventude no meio dos espancamentos dos pais que, com um sorriso, achavam-se detentores do verdadeiro método de endireitar o pepino. Gostava apenas que tivessem vivido nessa época para ver se a recordavam com essa tal ‘saudade’ de que falam.

[Continua]

Mood:: Exaltado
Música: Norton - Cinnamon & Wine
Por Parleone às 20:43
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Sábado, 17 de Março de 2007

Medo Do Passado!

Eu sou de e da Esquerda! Foi um facto que eu descobri cedo numa altura em que me considerava apartidário e apolítico devido às barbaridades lobbyistas que na altura eu considerava ser a política nacional. No entanto hoje, porque defendo os valores da Esquerda em que acredito, sinto me triste por existir ainda um Medo do Passado e com vergonha de existir uma Esquerda que ache que esse passado deve ser esquecido.

 

Se há um nome que ainda provoca arrepios nas espinhas portuguesas é este: Salazar. Este autor de um dos regimes ditatoriais mais longos da história mundial é ainda a raiz de um injustificado medo que o lembra na pele. É, indiscutivelmente, verdade que se deve lembrar o passado de modo a melhor lidar com os obstáculos que o futuro nos impõe, no entanto esta premissa tem recentemente sido esquecida por alguns Esquerdistas portugueses ultimamente.

 

Este Salazar que todos nós conhecemos, nasceu numa terra chamada Stª Comba Dão e a sua casa ainda lá permanece. Esquecendo ideologias e opiniões este Salazar foi sem dúvida uma coisa: um Português marcante. O seu nome aparece em todos os livros de História e teve uma incomparável influencia nos desígnios do país. Portanto é completamente inconcebível usar um instrumento (que lhe era muito querido nos seus dias), como a censura, para tentar apagar a memória do seu 'legado'. E foi, clara e absolutista censura, quando a RTP não o incluiu inicialmente na lista dos "Grandes Portugueses" e está a ser, idiota e opressiva censura, as recentes acções de certos (falsos) "Esquerdistas" ao tentarem que não seja construida um museu em memória de Salazar no local da sua antiga casa. O leitor mais superficial pode achar compreensivel que um "Esquerdista" não ache certo fazer-se um museu em honra daquele que foi o simbolo da ditadura do "Estado Novo", no entanto a Esquerda é uma afluência de correntes que se baseia, entre muitas, na premissa da liberdade e expressão. Uma liberdade de expressão não discriminatória que não distinga tipos de discurso e que seja um direito de toda a gente. Assim é justo pensar que muitas pessoas acham Salazar o "Grande Português" (apesar de eu ou esses tais falsos Esquerdistas não acharem) e como tal têm o direito de exprimir as suas opiniões nessa votação, tal como têm direito de se exprimir em manifestações de apoio Salazarista, de erguer Museus em honra de Salazar onde fora sua casa e até de estabelecerem partidos politicos de ideologia fascista (ao contrário do que a discriminatória lei Portuguesa diz). Afinal, o que foi o movimento para impedir que a antiga sede da PIDE fosse convertida num parque de estacionamento para ser construido um museu para lembrar as atrocidades por ela cometida durante o regime do "Estado Novo" senão um clara demonstração da Liberdade de Expressão não discriminatória?

 

O que estes falsos Esquerdistas pensam é que a melhor maneira de lidar com Salazar é enterrá-lo bem fundo para que nunca seja recordado, no entanto, quanto mais forem lembradas as atrocidades por ele feitas mais fácil será evitar e lidar com situações semelhantes no Futuro e mais fácil será enfrentar aquilo que muitos Portugueses ainda sentem: esse Medo do Passado!

Mood:: Com Vergonha
Música: TV On The Radio - Young Liars
Por Parleone às 19:30
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