Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Eu e as Legislativas’09: MMS poderia ser um movimento político, não partidário

Legislativas 09

Eu costumava equiparar dois partidos como extremamente parecidos, um pouco na base eleitoral, mas primariamente por terem sido criados sensivelmente ao mesmo tempo e de, nas europeias terem tido também resultados semelhantes à escala do esforço de primeira candidatura.

 

O Movimento Mérito e Sociedade, encabeçado por alguém de mais experiência têm com “pessoas” do que qualquer outro dirigente do MEP, chegou a considerar suspender as eleições devido à fraca e injusta cobertura dos pequenos partidos pelos Media e fez uma campanha de semelhante relevo do que nas Europeias. Falemos por exemplo do mítico cartaz da “Conchichinha”, a apelar ao que de mais popular os Portugueses tinham sem acrescentar algum valor, ou até às muitas campanhas de distribuições e de entregas de panfletos e programa.

 

Seria expectável que o MMS, com muito mais espaço ideológico para crescer do que um MEP nunca chegasse a ver uma descida de mais de 20 pontos percentuais em relação às Europeias, mas surpreendentemente, este passou de 0,61% para 0,29% perdendo mais de 4 mil votos. O fluxo de votos neste caso, não foi do PSD para o MMS, mas sim do MMS para o CDS-PP, dando azo à explicação do “voto útil” de Pinto Coelho.

 

A consequência destes resultados é de que o duelo psicológico entre “irmãos” como o MEP e o MMS foi ganho pelo primeiro, e o segundo perde assim a sua credibilidade de alguma vez sair do espectro dos micro-partidos. Talvez não fosse uma má ideia tornar o MMS um movimento político, não partidário, pois acredito que assim tivesse um maior apoio nas suas actividades (beneficiando também a sua causa meritocrática).

Mood:: Indiferente
Música: The Mars Volta - Concertina
Por Parleone às 16:12
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Eu e as Legislativas’09: A primeira consolidação dos pequenos é a Frente Ecológica e Humanista

Legislativas 09

O Partido Humanista tinha uma hipótese, depois do desastre que lhe foram as Europeias. Viu o Movimento Partido da Terra, com uma posição complementar e claramente associável – a ecologia – e decidiu que teria de dar um salto para saírem os dois da realidade dos micro-partidos.

 

Surgiu a FEH – Frente Ecológica e Humanista – um projecto bem construído e com candidatos de bom perfil, com o claro objectivo de ser a primeira "grande" coligação de dois micro-partidos, já com alguma experiência na matéria.

 

Como já referi estas eleições eram a melhor hipótese de angariar uma maior base eleitoralista, devido ao descontentamento gerado junto dos Bloco Central (daí, obviamente, o surgimento de partidos ou de atenção a partidos pequenos). Claro está que, comparando as FEHEuropeias com as Legislativas, seria expectável que a FEH fosse ter, nas Legislativas, uma percentagem menor do que a soma dos dois partidos nas Europeias. Tal aconteceu com os 0,21% atingidos ainda mais prejudicados pela não candidatura conjunta do MPT em alguns círculos (por não presença do PH).

 

No fim das contas, para a campanha relativamente forte e tão geradora de expectativas como a FEH, esta foi muito prejudicada pela abstenção menor do que nas Eleições, não tendo conseguido, como a primeira consolidação do mundo dos “pequenos”, ganhar muito entusiasmo.

 

 

Mood:: desiludido com os resultados
Música: The Mars Volta - Metatron
Por Parleone às 13:13
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Small is Better!

Queridos Leitores

Hoje apresento-vos um tema que iniciei levemente no meu último post: os neo-pequenos partidos.

Eu sou do tempo em que o os a premissa "Small is Better" não era utilizada para descrever as mil e umas seitas marxistas e maoístas da esquerda, nem os neo-ditatoriais "quasi quasi" fascistas da direita. De facto, a expressão, que ganhou popularidade nos Estados Unidos com o aparecimento de partidos como o Partido Liberal e o crescimento da popularidade de Ralph Nader do Partido D'Os Verdes, não foi sequer mencionada em Portugal até à agregação das (então) 3 facções neo-esquerdistas que se tornaram no Bloco de Esquerda.

No entanto, esta expressão nesta campanha eleitoral para as Europeias, está a ganhar outra dimensão. É com muito agrado meu, que vejo a política portuguesa a amadurecer, dando lugar à existência de alternativas partidárias aos partidos detentores de lugares no parlamento. Quando o Bloco de Esquerda apareceu, saudei a sua existência por se ter criado uma alternativa às correntes enferrujadas da política partidária de Portugal, pelo que da mesma maneira, quando novos partidos (com viabilidade ideológica) se formam no "quente" de um período eleitoral como este, tenho de e é com prazer que os saúdo na sua criação.

Vejamos então do que falo: no passado ano de 2008 vi um grupo de amigos empunharem a mão no conhecido símbolo político "V" do PSD, no entanto, estes entoavam MEP e não os normais gritos partidários da Social-Democracia. Tinha sido iniciado o comício inaugural do movimento que se tornaria conhecido como Movimento Esperança Portugal. Afirmando-se como políticos de verdade, diferentes da escória resultante de anos de maquinação partidária em Portugal, falavam de "alternativa" e "futuro" como se fossem palavras novas no dicionário político da época. Este entusiasmo era tão vibrante que quase fugia aos seus normais diálogos ideológicos da Social-Democracia. E hoje vemos, o "futuro" desse "movimento" - Laurinda Alves afirma-se na propaganda partidária das Europeias como um forte concorrente à vencedora de maior número de flyers em pára-brisas de carros estacionados.

No meio desta azáfama toda, notei também, num pequeno símbolo do infinito esquecido. Depois de pensar que era uma seita conspiracional contra o governo mundial descobri que se tratava do meu velho amigo Partido Humanista. Estes, com a sua posição sempre lutadora e pacificamente irreverente, fizeram furor quando o seu cabeça de lista às Europeias teve de ser substituído pelo número dois, por exercer o cargo de magistrado num Jurado da Paz no Porto, o que "supostamente" incompatibilizada a sua candidatura eleitoral. Apesar de todas as adversidades, o movimento que se afirma como partido (ou vice-versa) continua a declarar poesia poética pelas ruas de Portugal, encantando os mais sonhadores.

E é, então que, encantado por toda esta declamação política, vejo um Sr. fatinho que gosta de às vezes tirar a sua gravata nuns outdoors a afirmar uma onda de "mudança". Informei-me e descobri que não era, nada mais nada menos, que o Sr. Carlos Gomes do mui nobre e conservador Movimento Mérito e Solidariedade. Qual não é a minha surpresa quando descubro, uns tempos depois, que os famosos outdoors da avestruz com a cabeça enfiada na areia a simbolizar a abstenção eram também dos senhores do MMS. Deveriam estes estar a pensar, tal como PS (e ao contrário do PSD e do CDS-PP) que o truque para ganhar as eleições não passava por libertar cartazes com grandes close-ups às caras dos candidatos, e que portanto o (distante) povo se iria identificar com uma avestruz que não tinha opinião.

Mas dentro de todas estas neo-correntes, é sempre preciso alguma experiência e antiguidade. E fiquei muito...qualquer coisa, por ler a míticas frase "Contra o Capital e Por uma Europa dos Povos!" ser expelida pelas cordas vocais do "camarada" Orlando Alves, cabeça de lista do "grande" PCTP-MRPP, um partido que ainda hoje luta contra a sua ilegalidade. E lá foi ele, desde a Auto-Europa até ao querido calor do Alentejo para que as suas explicações maoístas, sejam confundidas com as declarações comunistas do PCP.

Cansado de toda esta algazarra partidária, dei-me de caras com uma ondulante e orgulhosa bandeira do Partido Popular Monárquico, que de entre fado e Lusíadas, ouvia falar da verdadeira Independência de Portugal e da posição (supostamente) anti-federalista que os monárquicos deveriam ter. Interessantemente surpreso por ver o seu cabeça de lista dizer que o herdeiro de Portugal não era o Duque de Bragança, fiquei nostálgico ao ver a galeria do site do PPM que mais pareciam as ilustrações dos meus livros de história do secundário.

E não é com surpresa total que vejo umas ovelhinha pretinhas nuns cartazes de Lisboa que muito assustadas corriam para fora do cartaz. Pensei que seria uma debandada de ovelhas do PSR mas fiquei espantado por ver uma ovelhinha branca com o símbolo do Partido Nacional Renovador a dar-lhes um "belo coice" xenófobo, ou deverei dizer nacionalista? O novo cartaz do PNR de controverso tem pouco e de directo tem muito, mas tenho de lhes tirar o chapéu pois a sua máquina propagandista sempre foi fantástica, apesar de alguns dos seus simpatizantes terem sido recentemente julgados por crimes pesados.

E finalmente, para deixar esta discussão com muita sorte, falo eu aqui do trevo verdinho do MPT, esse partido extremamente estranho por nem serem uns blue-dog democrats nem uns liberalistas de centro. Se o especulado bloco central tivesse um filho rebelde seria o MPT, nunca saído das suas raizes centrístas mas de vez em quando até usa umas túnicas para parecer de esquerda.

Pois bem, apesar do eu tom mais alegre enquanto falava de todos estes partidos, tenho simplesmente de lhes tirar o chapéu, pois estes SIM (mais BE e PSD) são os únicos partidos que sequer mencionaram qualquer discussão política europeia nesta farsa campanha que nada mais é que um road-to-legislativas!


Bússula Política

 

PS: Para aqueles que não conhecem, fica aqui uma boa bússula política, cortesia do MEP.

Mood:: Pequeno comos os neo-partidos
Música: The Pixies - Monkeu Gone to Heaven
Por Parleone às 19:44
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