Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Europa II: a chaga dos Portugueses (uma análise diferente aos resultados das Eleições Europeias)


 

2) O Efeito Sócrates/Ferreira Leite vs. O Efeito Vital Moreira/Rangel

 

Estas eleições, foram deveras surpreendentes e particularmente interessantes pois, para já a festa é farta pelos lados sociais-democratas, alimentada por uma espera de 11 anos, quando na realidade os seus resultados não são assim tão animadores. No entanto estes 30% são, talvez, os resultados mais intrigantes a que já assisti. Ora então porque?

 

Primeiro, fica a grande dúvida se este resultado foi um efeito duma real (e louvável) concentração de atenções junto dos cabeças de lista às Europeias, e assim devendo-se a uma justa e clara avaliação, pelo menos, dos seus discursos; ou então se terá sido apenas um desabafar político do descontentamento da governação de José Sócrates nos últimos anos.

 

Ou seja, fica por saber se esta vitória do PSD se deve a uma pseudo-brilhante campanha de Rangel acompanhada de uma quantidade propagandista de má qualidade a Vital Moreira ou se, por sua vez, se deve à vingança dos Portugueses por José Sócrates. Apesar de achar que a verdadeira razão é a segunda (pois obviamente o povo português pouco ou nada esteve interessado nestas Europeias e nas suas consequências), resta falar sobre uma grande problemática que são as Legislativas. Se, de verdade, houver muito atrito a José Sócrates (como estes resultados provaram), o que acontecerá nas Legislativas? Será que os Portugueses continuaram a definhar o seu PM quando a alternativa for a mui odiada Manuela Ferreira Leite?

 

Apenas poso dizer que umas eleições que todos estariam à espera que fossem uma “sondagem” para as Legislativas e para as Autárquicas, acabaram por ser um turbilhão de probabilidades para o futuro.

Mood:: Confuso
Música: Yeah Yeah Yeahs
Por Parleone às 13:03
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Europa I: a chaga dos Portugueses (uma análise diferente aos resultados das Eleições Europeias)

UE

 

"Surpreendentemente Positivas" e "Surrealmente Negativas" são as únicas expressões que consigo utilizar para descrever estas passadas Eleições Europeias, que culminaram com o início de uma pequena-grande alteração política partidária em Portugal e que se afirmaram como uma verdadeira chaga para muitos dos senhores dessa vida.

 

Antes sequer, de falarmos de resultados temos obviamente de referir os patéticos níveis de abstenção que registamos nestas eleições. Vejo todos os partidos (menos o PS e o MMS) a festejarem com os seus resultados, e pouco ou nada se importando, relegando muitas vezes para notas de rodapés nos seus discursos a fraca participação dos cidadãos europeus (de Portugal). Parece que nem o apelo do Presidente da República, Cavaco Silva, resultou no tirar de rabinhos de compatriotas nossos dos seus sofazinhos para decidirem qual a representação política portuguesa num órgão que, à medida que a Europa navega pelas águas do federalismo, vê o seu grau de importância aproximar-se ao das legislativas. Mas falarei melhor sobre este assunto no meu próximo artigo.

 

Ao invés da normalidade de um artigo, vou lançar os tópicos da minha análise em diferentes posts, aqui indo o pequenino primeiro:

 

1) Duelo do Centralão:

 

Sem dúvida alguma que não houve eleições europeias na história em que mais “facadas e arranhões” se viram entre o PS e o PSD. Choveu uma torrente de ataques e defesas às políticas do Governo de José Sócrates, às posições do PS parlamentar em relação ao Governo, às metodologias de oposição de Manuela Ferreira Leite, das expressões e expressionismos de Vital Moreira e de muitas outras “merdices” (ou seja, discursos derivados de merda, à falta de melhor palavra) que nada tinham a ver ou contribuíam para um discurso saudável sobre a representatividade portuguesa na Europa.

O que resultou daqui foi, obviamente, um desastroso resultado para o “Centralão” tendo tido votos roubados pela panóplia de restantes partidos, que nestes começam a ver uma alternativa à corda-bamba governamental dos últimos 35 anos. Finalmente parece que estamos a assistir o cansaço e descontentamento dos votantes Portugueses da política de mal-dizer e de oposição infundamentada e insustentada destes dois partidos e apenas espero que esta se reflita numa saudável e muito importante mudança nas Autárquicas, em que os lobbies partidários menos força têm na população.


Mood:: Intrigado
Música: Lily Alen - The Fear
Por Parleone às 11:15
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

From Europe With Love

Amigos Leitores

 

Depois de um hiato político-social característico de anos sem eleições (e se calhar sem representatividade política), volta à carga toda a parafernália eleitoralista com tempos de grande discussão.

 

Na verdade, é curioso verificar que nestes últimos anos, à excepção das manobras parlamentares anti-governo de todos os partidos (menos o PS), a política partidária Portuguesa teve um abrandamento de discussão que foi extremamente demarcado e que resultou numa  grande infelicidade: os parcos incentivos ao debate político fulcral levaram a que uma maioria absoluta de um governo psêudo-socialista diminuísse uns metafísicos índices de democracia em Portugal.

 

O que verificamos, de grandes movimentações políticas, à excepção dos habituais comícios e outras patranhas partidárias, foram as movimentações de massa crítica que o Bloco de Esquerda teve na sua Marcha pelo Emprego, a manifestação por parte da CDU em Lisboa e outros poucos episódios políticos de menor dimensão.

 

Toda a política portuguesa ficou completamente reduzida a uma constante (e pequena) crítica das "governamentações" de José Sócrates e às batalhas de candidatos fantasmas que foram eleitos quase com mandato de término em 2009, no qual os partidos voltariam à carga com todas as armas.

 

E foi exactamente isso o que aconteceu: 2009 abriu-se com um pequenino (mas no entanto importante) debate sobre as futuras Autárquicas e com o periscópio político com a mira para as Europeias. Infelizmente verificamos, no entanto, que todas estas vontades políticas de "Não Brincar" ou de ser como um todo "Nós, Europeus" estão permanente assombradas pela sempre constante e mui antiga nuvem partidária das Legislativas.

 

Portugal, um país em que todos conhecemos e sabemos que de democrático nos últimos 30 anos teve uma aproximação àquilo que era a média dos anteriores 40, vê hoje uma agenda política de vitória legislativa a defraudar completamente todo o discurso e debate político das Europeias.

 

Eu sou um grande fã dos media, pelos melhores e pelos piores motivos, e aquilo que temos observado neste período de campanha são quase todos os partidos a fazerem uma campanha com base na crítica fácil de um governo de maioria absoluta sobre a sua autoridade nas medidas domésticas. Ora onde está o debate sobre o federalismo europeu? Onde está o debate sobre o muito importante pacote da comunicação que, caso sejam levadas avante algumas das medidas de certos grupos poderão impedir o próprio acesso da internet aos vossos caros autores deste blog?

 

E falando deste e doutros assuntos podemos referenciar, toda a questão das políticas do BCE em relação à crise, bem como toda a questão de incentivos de recuperação económica de uma Europa unida contra à crise, ou até a fulcral questão da própria metodologia de combate à crise por uma Europa de incentivos estatais ou de soberania reguladora? E Tratados de Lisboa, o balanço do Processo de Bolonha e outros tantos?

 

Nunca na vida vi umas eleições nas quais estivesse tão atento a todas as notícias sem conseguir extrair as opiniões políticas desses candidatos sobre os temas a que os cargos a que se candidatam, versam. Assim, apenas podemos chorar e gritar por uma campanha que não conte apenas com os ataques às forças governamentais (tenham ou não tenham razão) e que se foquem mais nos debates dos tópicos europeus, numa altura em que a Europa tanto precisa de nós como cidadãos.

 

 

Deixo aqui apenas três comentários finais:
  • Em primeiro um grande parabéns e continuação de um bom rumo político aos pequenos (de massa crítica mas não influência) MPT, MMS, MEP e outros (mas nem todos) que são dos poucos que se têm centrado na verdadeira discussão da Europa e que, como tal, têm feito uma campanha eficiente e que com muitos menos milhões que os restantes, se calhar transmitem mais informação e intenção verdadeira.
  • Em segundo lugar um grande parabéns ao Jornal Público por evidenciar o mesmo problema que eu, na sua edição de hoje.
  • Finalmente, apenas uma referência à foto inicial, na qual podemos ver o Dr. Vital Moreira quando este era o "ponta-de-lança" de uma equipa bem vermelha, mas que agora como o equipamento do Benfica, se foi tornando mais rosadinho.
Mood:: Desconfiado
Música: Thus Spoke Oberon - Lucifer's Friend
Por Parleone às 12:57
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